Ministro Moraes Restabelece Aumento do IOF, Excluindo ‘Risco Sacado’; Entenda o Impacto

Hernane Cardoso
Artigo escrito por Hernane Cardoso
em 17/07/2025 (Atualizado: 19/06/2026) 7 min de leitura
Ministro Moraes Restabelece Aumento do IOF, Excluindo 'Risco Sacado'; Entenda o Impacto
Ministro Moraes discute aumento do IOF e suas implicações econômicas.

Ministro Moraes Restabelece Aumento do IOF, Excluindo “Risco Sacado”

A partir de 16 de julho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o retorno da eficácia do decreto presidencial que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

No entanto, a medida foi ajustada, excluindo a incidência sobre as operações de “risco sacado”, modalidade utilizada no varejo para antecipação de recebíveis.

Essa decisão gera grande impacto econômico e político no Brasil, e é fundamental entender os detalhes dessa alteração para compreender as implicações para o consumidor, para o mercado financeiro e para a arrecadação federal.

O Que Foi Restabelecido e O Que Foi Excluído

O decreto nº 12.499/2025, publicado em junho, visava aumentar a arrecadação federal ao elevar as alíquotas de IOF em várias operações financeiras. A decisão de Moraes restabeleceu os seguintes aumentos:

  • Compras internacionais com cartões de crédito, débito e pré-pago: aumento de 3,38% para 3,5%.
  • Compra de moeda estrangeira em espécie e remessas para o exterior: aumento de 1,1% para 3,5%.
  • Empréstimos de curto prazo para empresas: alíquota diária de 0,0082%, com adicional de 0,38%.
  • Aportes em planos de previdência privada VGBL: tributação de 5% para aportes superiores a R$ 300 mil anuais.

A grande exceção, e o ponto de maior controvérsia, é a exclusão das operações de “risco sacado” da aplicação do aumento do IOF. Essa modalidade, muito comum entre fornecedores de varejo, permite antecipar o recebimento de vendas a prazo, e a sua tributação havia gerado enorme preocupação entre empresas de menor porte, que utilizam essa prática para melhorar seu fluxo de caixa.

O Contexto Político e As Reações ao Restabelecimento do Aumento

A medida do governo federal de aumentar o IOF foi aprovada, mas gerou forte resistência no Congresso Nacional, que em junho de 2025 derrubou o decreto por meio de um decreto legislativo.

Em resposta, o governo federal ingressou com uma ção Declaratória de Constitucionalidade (ADC) no STF, defendendo a legalidade da medida, principalmente para garantir o aumento da arrecadação em tempos de crise fiscal.

O ministro Moraes, ao analisar o caso, entendeu que a alteração das alíquotas poderia ser restabelecida, com exceção das operações de “risco sacado”, que, na visão do STF, não justificavam o aumento devido ao impacto potencial em micro e pequenas empresas.

A decisão de Moraes foi vista como uma vitória parcial para o governo, que conseguiu restabelecer a maior parte da arrecadação prevista, mas sem penalizar as empresas que mais dependem de crédito barato e de antecipação de recebíveis.

O debate político também gerou reações mistas, com alguns parlamentares e economistas defendendo a prerrogativa do Congresso de sustar os atos do Executivo, enquanto outros apoiaram a decisão do STF de garantir a legalidade do aumento, essencial para o equilíbrio fiscal do país.

Impactos Econômicos do Aumento do IOF

O aumento das alíquotas do IOF foi projetado para gerar uma arrecadação adicional de cerca de R$ 8 bilhões para o ano de 2025. Este montante é visto como essencial para cobrir parte do déficit fiscal do governo, especialmente diante das dificuldades orçamentárias do Brasil.

Porém, especialistas alertam que o aumento do IOF pode ter efeitos negativos sobre o crédito, principalmente para as microempresas e pequenos empresários, que já enfrentam dificuldades com o alto custo do crédito no país.

A elevação do imposto pode encarecer operações de crédito para as empresas, impactando diretamente o capital de giro e a capacidade de investimento, o que pode desacelerar a recuperação econômica.

Além disso, o aumento do IOF sobre transações de crédito ao consumidor e a compra de moeda estrangeira pode aumentar os custos de viagem para os brasileiros e de remessas internacionais. Para quem costuma realizar compras no exterior ou enviar dinheiro para familiares em outros países, o impacto será diretamente sentido no bolso.

O Que Isso Significa Para o Mercado Financeiro e Para o Consumidor

Para o mercado financeiro, o aumento do IOF em algumas operações, como empréstimos de curto prazo e financiamentos, representa uma tentativa do governo de melhorar a arrecadação, mas também pode levar a um aumento nos custos de captação de recursos por parte das instituições financeiras.

Isso pode resultar em um aumento nas taxas de juros cobradas ao consumidor final.

Para o consumidor, o aumento do IOF afeta principalmente as transações internacionais, como compras em sites estrangeiros e viagens ao exterior, além de operações de crédito.

Já as empresas de menor porte, que utilizam o “risco sacado” para antecipar o recebimento de vendas, poderão respirar aliviadas com a exclusão dessa modalidade da tributação adicional, permitindo que o impacto sobre o custo do crédito seja minimizado.

Conclusão

A decisão do ministro Alexandre de Moraes restabeleceu parte do aumento do IOF, com a exclusão das operações de “risco sacado”. Essa medida traz alívio para pequenos empresários e fornecedores, mas ainda assim representa um aumento significativo na tributação sobre o crédito e transações financeiras, o que pode afetar diretamente o custo do financiamento e o orçamento das famílias brasileiras.

A medida, embora bem recebida por alguns, continua sendo um tema polêmico no cenário político e econômico, com a expectativa de que os próximos meses tragam mais debates sobre a sustentabilidade dessa ação no longo prazo.

Para mais informações sobre os impactos dessa decisão e como ela pode afetar suas finanças, acesse o artigo completo em Empreenda na UEB ou acompanhe as atualizações oficiais no site do STF.

Perguntas Frequentes

O que é o aumento do IOF e quando ele será implementado?

O aumento do IOF, ou Imposto sobre Operações Financeiras, foi restabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes e começará a valer a partir de 16 de julho de 2025. O decreto prevê elevações nas alíquotas para diversas operações financeiras, visando aumentar a arrecadação federal.

Quais operações financeiras terão aumento no IOF?

As operações financeiras que sofrerão aumento no IOF incluem compras internacionais com cartões de crédito, compra de moeda estrangeira em espécie, empréstimos de curto prazo para empresas e aportes em planos de previdência privada VGBL. As alíquotas foram ajustadas para refletir esses aumentos.

O que são operações de 'risco sacado' e por que foram excluídas do aumento do IOF?

Operações de 'risco sacado' referem-se à antecipação de recebíveis no varejo, permitindo que empresas recebam pagamentos de vendas a prazo de forma antecipada. Essas operações foram excluídas do aumento do IOF para evitar penalizar micro e pequenas empresas que dependem desse crédito para manter seu fluxo de caixa.

Qual foi a reação do Congresso Nacional ao aumento do IOF?

O aumento do IOF gerou forte resistência no Congresso Nacional, que em junho de 2025 derrubou o decreto através de um decreto legislativo. Em resposta, o governo federal entrou com uma ação no STF, defendendo a legalidade da medida para garantir a arrecadação em tempos de crise fiscal.

Qual o impacto da decisão de Moraes sobre o aumento do IOF para o mercado financeiro?

A decisão de Moraes de restabelecer o aumento do IOF, excluindo as operações de 'risco sacado', é vista como uma vitória parcial para o governo. Isso permite que a maior parte da arrecadação prevista seja mantida, enquanto protege as empresas que mais dependem de crédito barato e antecipação de recebíveis.